Fado Alado - Sábado às 11h30

Viagens de uma guitarra portuguesa nas mãos de vários artistas, que transformam o velho trinar em novos conceitos.

"Enleada num 'Fado Alado' sem me dar conta. Tal como a canção que expressa o mais genuíno sentimento de ser português, o Fado conquistou o lado certo do meu peito, mas não foi amor à primeira vista. Velho, bafiento, monótono e desgraçado, adjectivos usados à exaustão quando se tratava da nossa canção. Agora sei, sinto, a minha identidade também se ouve no Fado, como a de todo e qualquer português, por menos que julgue gostar. São assim os amores para toda a vida, tardios e maduros.
Do muito que ouvi, das histórias generosamente partilhadas comigo, das personagens que cruzaram o meu caminho, entre fadistas de fama ou génios incompreendidos, há um elemento comum, a guitarra portuguesa.
E que tal tirá-la do seu habitat natural e levá-la pelo mundo? Muitos torcerão o nariz, mas é uma prova de resistência aos sentidos. Sem destino traçado, apreciando as paisagens à boleia da nossa guitarra. Este é o desafio a que me proponho, num Fado tantas vezes ao lado, não se perde em essência porque sabemos tratar-se da nossa canção. E mesmo que nessa estrada longa algures nos confins da Europa rumando ao Oriente com paragens inusitadas e cruzamentos improváveis em África ou nas Américas, aprenderemos tanto sobre quem fomos, quem somos e quem seremos." - Cláudia Matos Silva

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