A Noite Passada é onde a paixão dança e o amor amanhece ... em sonoridades que anestesiam os sentidos. A Noite Passada é o tempo dos beijos que não se deram. Das caras a quem sorrimos. Das pessoas que não se falaram. Dos olhares que não se roubaram ou que não se cruzaram como queríamos. Das mãos que não se entrelaçaram. Dos amores que não se viveram. Das bocas que se tocaram e das que não se tocaram. Dos bares a fechar. Do vento gélido de uma noite perdida ou esquecida.A noite que passou vive-se de forma que não foi prometida. A Noite Passada é...onde a paixão dança e o amor amanhece. Com a escolha musical e autoria de Tiago Soares, numa produção para a Rádio Autónoma, nas noites de quinta-feira às 20 horas com repetição durante a semana, aqui na Rádio Lisboa.

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A noite chega ao fim.... a Noite que passou chega ao momento em que a paixão dança pela madrugada que amanhece, mas longe dos nossos olhares. A história que fomos contando ao longo destes últimos 6 anos, fica em aberto, mas por agora tem um fim. Ninguém sabe o amanhã, nem o que a Noite nos pode trazer. Apenas podemos garantir que o amor vai estar sempre connosco, com eles, em qualquer momento.

6 anos, 290 noites. Obrigado a todos da Rádio Autónoma e Rádio Lisboa por acreditarem na paixão que dança e no amor que amanhece. E a todos os que ouviram A Noite Passada.

E assim foi a Noite Passada... Até....

1
Naquele fim de tarde singular, quando o avião aterrou, o crepúsculo laranja ardente da tarde ainda tardava. Entrou em direcção a um táxi, sentindo no corpo o medo de todas as suas abstracções. O asfalto da estrada cedia rápido à velocidade do carro. O perfume dele, ausente, começou a arrombar os sentidos dela em pensamento. Sentidos fechados com trancas duras e pesadas que facilmente se abrem apenas com um vazio dorido que preenche um canto de um corpo há muito afectado pela ausência. Uma mente dormente para o sentimento segue naquele carro com ela. E ali começa a perceber o seu futuro, mesmo antes de chegar...

2
O manto negro da escuridão de uma qualquer noite passada, começou a embrulhar os seus sentimentos. Ela que até aí, se tinha feito de distraída com o que tinha feito na sua vida, pediu ao táxi para parar. Saiu. Bebeu a poluição da cidade que se adapta ao nosso ser todos os dias e olhou. A sua mente ficou algo fleumática com o cenário onde estava, mas não sabia se queria estar. Viveu em momentos uma agonia assustadora que a proibia de se mexer e ficou a pensar: 'Esta que quer falar não sou eu...ou serei? ' As interrogações não chegaram para lhe encher o peito de coragem e ali ficou, a olhar para os 'nós' da mão pensando se ia ou não bater naquela porta verde...

3
Por vezes a vida não chega para perguntarmos se nos deixam ser felizes. A sua silhueta feminina elegante começou a deixar-se seduzir pelas memórias de um beijo denso que não mais recebeu. Continuou sem perceber o medo que estava nela e na hesitação lembrou Shakespeare: "As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar". A falta de um amanhã fá-la recusar-se em si mesma e pensar em voltar para trás e desistir daquele momento. A dúvida trespassa-a, mas num assomo de coragem deixa-se ir e bate à porta...

Publicado na página oficial Facebook por Tiago Soares